domingo, 22 de maio de 2011

LHM

"Quem não escreve livros, pensa muito e vive em companhia inadequada, será normalmente um bom escritor de cartas"
                          Friederich Nietzsche - Humano, demasiado humano

                                            A escritora de cartas

      O papel não está mais na minha frente, nem a caneta em minhas mãos. Vejo apenas uma tela em branco, pronta para ser preenchida com meus pensamentos mais íntimos, expressados em palavras sem sentido que lutam para ficarem em minha cabeça, me torturando, fazendo de mim uma mera escritora de cartas.
     Não quero meramente escrever cartas sem sentido, sem destino, sem valor a mais ninguém além de mim mesma. Não quero usar minhas palavras em vão, ainda mais vivendo em um mundo cheio de imperfeições, onde faltam ideias de liberdade e sobram conspirações contra a pouca que nos resta.
    Olho para a carta quase pronta, e ainda sem destinatário. A vontade de relatar minhas idéias em um livro cresce e paraliza meus dedos, me impedindo de digitar os pensamentos que me enlouquecem. Por que não consigo falar abertamente o que penso? Por que estou atada a palavras cruéis, que me torturam e me impedem de mudar? Em que consiste escrever uma carta, sem um destino? Mero destino, que tantas vezes me decepciona, por que faz isso comigo?
   Batalho contra o inevitável todos os dias, tentando apagar as palavras escritas em meu destino, lutando em vão, não aceitando o fardo de que sou, e provavelmente sempre serei, uma mera escritora de cartas.

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