Aromas e trevas
Nascera o ultimo raio da manhã
E abri os olhos para que nada
Nem trevas, nem aurora
Se sobrepusessem a teu perfil obliterado
Fechara-se a escuridão sobre a cômoda de asceta
E eram teus olhos como um mosaico
Ambíguos e geométricos,
E era, como uma pintura a tempera, teu sono
Já liptico e nebuloso
Invadira o quarto o amor como que furtivo
E acendi os sentidos para que tudo
Até mesmo aroma, até mesmo desejo
Se envergassem em teu perímetro intrínseco
Velara teu contorno o anoitecer cansado
E era teu corpo todo como um soneto
Ambíguo e métrico,
E eram ,como as palavras, teus beijos
Já lipticos e receosos
Adornara o vento teus gestos
E eu me desnudei por completo para que fossemos apenas
Trevas e auroras, aromas e desejos
Para que não pudéssemos ser nada além de corpos
Já lipticos e geométricos
E para que amor fosse ao todo apenas
Ambigüidade e névoa
E as palavras se tornassem nada além de
Desejos de auroras
Aromas de tuas trevas.
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