Assim que um broto de Primavera surge
Ouve-se ao longe o grito da monotonia
De repente da calma fez-se a ventania
O ser mais importante a ele nascia
Dar vida às vidas ali, sem sintonia
A juventude diferente, parecia a dos outros
Viver como aqueles não era viver
Resgatou suas lembranças do Mundo das Ideias
Racional, pensou nos demais
O mundo era ignorante
Pensou nas crianças
Sempre mudas, telepáticas
Nomeavam-se bichos
Simplicidade é uma rosa
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Pensem nas feridas
Que estigmatizariam
Já na juventude, virou sábio
Para quem tudo é novo
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Sucesso, buscava uma coisa
Que nem ao menos sabia
Os bons, viu sempre passar
No mundo graves tormentos
Os maus, viu sempre nadar
Em mares de contentamento
Quis ser mau, ficou louco
Sim, louco, porque quis grandeza
De repente, não mais que de repente
Em sua lúcida insanidade
Ria dos filhos que em vão rezaram
Irônico, rico em dialética, dizia:
Sou como tu me enxergas
Posso ser leve como uma brisa
ou forte como um vendaval
Depende de quando e como tu me olhas passar
Não esqueço nunca do que recordo
Mas há poucas coisas que eu me lembre
Mas que seja infinito enquanto dure
Estes vãos pensamentos
Quando mesmo em face de seu maior encanto
Dele se encantava mais seu pensamento
O comum tinha uma beleza nada trivial
Que lhe fazia vangloriar seu ego banal
Talvez fosse ordinário porque via a perfeição
Que um ou dois homens de outras terras
Firmavam com engenho esta mesma aspiração
Propôs em seu louvor que ia espalhar meu canto
E rir seu riso e derramar seu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
Fase dos sentimentos, que todos se sentimentalizavam
Até mesmo os velhos que ali velhavam
Já no fim, bem no fim
Que saudade que tinha o primaverense
Da aurora da vida de tão recente
Que os anos não trarão mais
Ele não deu por esta mudança
Tão simples, tão certa, tão fácil
- Em que espelho ficou perdida
tua face?
Não sabia responder,
Lamentou ao saber que não sabia o que era
A esperança prevalecerá
Muitas uniões viram lutar
Nesta terra onde havia filosofado
E nada, (culpa dos homens)
Pode concretizar
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez ele sabia,
Mesmo em sua jornada ao além, sabia
Que os pássaros saudariam
A incerteza do dia
E os crepúsculos selariam a noite
Mantendo as pedras que
Outros encontrarão no caminho