Imperativos existenciais
Dança menina, dança
Baila, pois não há mais chagas no mundo do que bailar
E não há mais mundos na chaga do que meninas
Vive criança, vive
Sobrevive, enquanto o peso de existir ainda é leve
Existe porquanto a vida ainda transpassa inquieta
Brinca garoto, brinca
Graceja num mundo que ainda é infância
Espairece contente em uma realidade parca
Sonha menina, sonha
Fantasia, pois não há mais fantasias no mundo do que amigos
E não há mais mundos nas fantasias do que teus sonhos
Sorria criança, sorria
Anima-se, enquanto a vida desconhece a lágrima
Chora porquanto o pranto não procede ao tormento
Cala garoto, cala
Abstende-se num mundo sem propósitos
Admira as palavras quando ainda míopes
Ama menina, ama
Apaixona-se, pois não há mais afeições no mundo do que meninos
E não há mais mundos nos homens do que paixões falsas
Por fim, cresça criança, cresça
Amadurece, enquanto teu futuro não é padecer
E padece porquanto a infância tornou-se finita
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