Pois é, decidi sair da rotina e publicar um texto em um dia que não é nem domingo, nem quarta (mágico hein!). Escrevi esse poema ontem de madrugada esperando o programa "De frente com a Gabi" começar. Acho que me inspirei nessa fase MPB que a minha familia está vivendo agora e nas pessoas que acabei esbarrando no Anhangabaú (culpa da Virada Cultural). O texto não está muito bom (acho que o Chicão falaria que as rimas são pobres, hehe), então estou dando uma enrolada em vocês! Anyway, não tem mais o que falar. Espero que gostem.
Infinitivo da vida bandida
Os joelhos contundidos, tal como os sonhos
A barba por fazer, os cabelos por cortar
Nenhuma ideologia pra viver
Os filhos pra cuidar
O apartamento coxo, sem janela pra arejar
O cinto frouxo, sem ninguém para apertar
O carpete carmim, sem mulher para abraçar
A parede do botequim, sem espaço pra mijar
O brilho nos dentes, tal como o luar
O sangue quente, rangendo sem parar
A criança naquele ventre, tal como o olhar
Sempre impotente, sem vontade de continuar
As pernas mancas não podiam mais andar
O bagaço do engenho não podia mais embotar
As coxas da esposa sem viço para engrossar
A conta de luz não sabia como pagar
As crianças sozinhas sem ninguém para amar
A filha com espinhas com vontade de dar
A pedra amarga começou a evolar
Uma resistência nova, os delírios passaram a gerar
A síndrome de abstinência para sustentar
A família ele ainda queria salvar
Comprou uma arma com o amigo Escobar
E ainda alucinado foi para a praça esperar
Olhou uma última vez para o que chamou de lar
Segurou o revólver com a fome de roubar
Esperou o último ônibus passar
E partiu para cima da moça assaltar
Os olhos que não sabiam marejar
O juízo que começara a minguar
A mulher que passara a chorar
O bom senso que insistia em recuar
O dinheiro que poderia achar
A arma querendo apenas trucidar
Matar, atirar
O cadáver e uns trocados para enfim embolsar
Teria hoje por fim dinheiro pra guardar
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