domingo, 10 de abril de 2011

ASF (poesia)

Bem, não preciso nem dizer da onde me veio a inspiração do poema, o título já é meio autoexplicativo. Espero que gostem e como prometido mais um poema dos meus domingos de insônia assistindo ao fantástico! XD




O porta retrato


Os olhos negros, afogueados
Contorcidos em rebentina
Assolavam meu corpo em labareda
Efervescência

A moldura amarelada
Jovem como éramos ambos
Branda como fora a idade
Corroída

O tempo passado
Segredos até então esquecidos
O amor como embaraço fluído
Congelado

As mãos rigorosas unidas
Braços pendidos ao ventre
Idade agora perdida
Ilusão

Unidos contentes no começo da estrada
Somente sorrisos e versos perpetuados na lente
Apenas neblina e árvores assolando o asfalto
Inexistentes

A silhueta dos corpos submersos
Emersos do desejo insone
Da paixão que precedera a estiagem
Naufragados

A clareza dos gestos apaixonados
Da vida que ainda existira em nós
Dos dedos protegidos pela aliança
Despidos

Tudo que fôramos para além do agora
O que éramos ali momentaneamente
Aliados, belíssimos, contentes
Perpetuados

Os olhos então lentamente desbotados
O amor tornado tão fosco
O vidro já quebrado
Irreparáveis

Mas o casal sorridente enclausurado naquela moldura
A vida esquecida ao longo da estrada
Existirá para sempre no porta retrato
Mais viva que nossa lembrança
Mais etérea que essa breve existência

2 comentários:

  1. Achei fantástico. Proponho que todos façamos um poema...como diálogo de poetas onde tudo pode!

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  2. Nossa..a ideia é ótima! Mas como se faz exatamente um diálogo de poemas, todos escrevem sobre o mesmo tema e depois nos sobrepomos os texto? De qualquer forma, sou uma adepta das ideia! XD

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