Bem, mais um poema das minhas noites solitárias de domingo, não sei dizer bem o que me inspirou, mas creio que foi o livro "Lolita" (não contem isso em casa, hein). Espero que gostem! XD
Mãos Vazias
Você me diz quantas vezes prometeram-te tantas coisas
E como voltaste todas de mãos tão vazias
Na vaga de tuas coxas resta ainda um cheiro
Resquício da poesia mal acabada
Do fomento de delírios tão desconexos
Você me diz de pernas escancaradas que o amor não existe
Que o alento não vale mais que o desafeto
Que o carinho não incita mais que o álcool
Na complacência de tua cômoda incendiada
Restam ainda contrações descompassadas
Pesa o fastio de teus divertimentos
Você me encerra com os lábios enfadados
Desconcerta o compasso de todos meus nervos
Diz que o prazer antecede a pena
E que a pena entorpece o amor
No silêncio de tua anca desregulada
Desatina a volúpia ainda ardente
Força os músculos o desejo incipiente
Você então me encara com aconchego
Com um apego que a alma turva ainda desconhece
Diz tantas vezes que para sempre me ama
Pende os quadris tão cansados para meu lado
Na frieza da madrugada casta então me despeço
Abandono em teu leito a tequila e uns poucos trocados
Prometo-te tão poucas coisas
E fecho a porta como ti, de mãos tão vazias
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