domingo, 24 de abril de 2011

ASF (poesia)

Bem, eu sei que já é quase madrugada e faltam talvez uns três minutos para amanhã e como eu quero publicar esse poema ainda hoje, tenho que ser rápida! Então, cá está meu último texto (com umas rimas meio trouxas, mas o que vale é a intenção!). Espero que gostem!

Leilão de mim mesma

                                              
Vendo-me em pedaços!

A feiúra, esta desgraça
Penúria dos anos malquistos
Dou-te de graça

A beldade estragada
Hedionda da idade madura
Vendo-te a troco de nada

Minha força quando ainda no começo
Meu corpo que fora travesso
Estes entrego sem preço

Os olhos não mais atrativos
Juntos com os sonhos já polarizados
Os leilôo sem fins lucrativos

As lembranças antigas em aquarelas
Ruínas de mim mesma em outras eras
Peço que as compre em nove parcelas

O violão e os desejos de quando fui anarquista
As palavras em fuga do meu sotaque paulista
Estas eu vendo apenas à vista

O amor como um compromisso futuro
Tudo aquilo que entreguei prematuro
Estes hei de cobrar com juro

Vendo os sonhos
Entrego as sortes
Leilôo os talentos
Me desfaço em punhados
Me dou por inteiro

Vendo a vida
Entrego a bebida
Leilôo minh’alma
Me esvaeço por completo
Me dou por vencida

E então quando leiloada em pedaços
Peço que deixes comigo uns retalhos
Daquilo que ficou perdido em subespaços
Entre mormaços da vida passada
Peço que deixes comigo, por fim, os cigalhos
Daquilo que fui quando tua namorada
Pois vendo de mim tudo, menos o que restou de VOCÊ!

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