O porta retrato
Os olhos negros, afogueados
Contorcidos em rebentina
Assolavam meu corpo em labareda
Efervescência
A moldura amarelada
Jovem como éramos ambos
Branda como fora a idade
Corroída
O tempo passado
Segredos até então esquecidos
O amor como embaraço fluído
Congelado
As mãos rigorosas unidas
Braços pendidos ao ventre
Idade agora perdida
Ilusão
Unidos contentes no começo da estrada
Somente sorrisos e versos perpetuados na lente
Apenas neblina e árvores assolando o asfalto
Inexistentes
A silhueta dos corpos submersos
Emersos do desejo insone
Da paixão que precedera a estiagem
Naufragados
A clareza dos gestos apaixonados
Da vida que ainda existira em nós
Dos dedos protegidos pela aliança
Despidos
Tudo que fôramos para além do agora
O que éramos ali momentaneamente
Aliados, belíssimos, contentes
Perpetuados
Os olhos então lentamente desbotados
O amor tornado tão fosco
O vidro já quebrado
Irreparáveis
Mas o casal sorridente enclausurado naquela moldura
A vida esquecida ao longo da estrada
Existirá para sempre no porta retrato
Mais viva que nossa lembrança
Mais etérea que essa breve existência
Achei fantástico. Proponho que todos façamos um poema...como diálogo de poetas onde tudo pode!
ResponderExcluirNossa..a ideia é ótima! Mas como se faz exatamente um diálogo de poemas, todos escrevem sobre o mesmo tema e depois nos sobrepomos os texto? De qualquer forma, sou uma adepta das ideia! XD
ResponderExcluir